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Filosofia das Ciências - Missão 01c - Giordano Bruno - finitude/infinitude

Ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros (PCNs, página 64)

Cosmos: Uma Odisseia do Espaço-Tempo

Ale Battle - publicado em 28 de nov de 2015 

Filosofia da Ciência
Temas: a infinitude do universo / paralaxe
Questão Central: O universo é finito ou infinito?
Filósofo:  Giordano Bruno (1548 - 1600)
Obra: Sobre o Infinito, o Universo e os Mundos (1584)

Biografia


Bruno (1548- 1600) – teólogo e filósofo italiano condenado à morte pela Inquisição romana com a acusação de heresia ao defender a infinitude do universo entre outros.

Ler textos filosóficos de modo significativo (PCNs)

Sobre o Infinito, o Universo e os Mundos (1584)

DIÁLOGO PRIMEIRO
Interlocutores ELPINO, FILOTEO, FRACASTORIO, BURQUIO

ELPINO — Como é possível que o universo seja infinito?
FILOTEO — Como é possível que o universo seja finito?
ELPINO — Acham vocês que seja possível demonstrar esta infinitude?
FILOTEO — Acham vocês que seja possível demonstrar esta finitude?
ELPINO — Que dilatação é esta?
FILOTEO — Que limites são estes?
(...)
BURQUIO — O infinito não pode ser compreendido pelo meu raciocínio, nem digerido pelo meu estômago, embora eu deseje que seja assim como afirma Filoteo, porque, se por desgraça acontecesse de eu cair fora deste meu mundo, sempre encontraria outro país.
ELPINO — Com certeza, Filoteo, se nós quisermos colocar os sentidos como juiz ou dar-lhes a função que lhes é própria, isto é, ser o veículo originário de toda a informação, acharemos então muito difícil encontrar um meio para concluir aquilo que você afirma, de preferência ao contrário. Agora, se for de seu agrado, comecem a me fazer entender algo.
FILOTEO — Não são os sentidos que percebem o infinito; não é pelos sentidos que chegamos a esta conclusão, porque o infinito não pode ser objeto dos sentidos. Por isso aquele que procura esclarecer tudo isto através dos sentidos se parece com aquele que procura enxergar com os olhos a substância e a essência; e aquele que as negasse, por não serem sensíveis ou visíveis, negaria a própria substância, o próprio ser. Mas deve haver cautela em recorrer ao testemunho dos sentidos, os quais admitimos só no campo das coisas sensíveis, mesmo aceitando-os com certa suspeita, se não emitirem um julgamento de acordo com a razão. É conveniente para o intelecto julgar e dar razão das coisas ausentes e divididas por espaço de tempo e de lugar. Nisto temos suficiente testemunho no campo dos sentidos pelo fato de não poderem nos contradizer e, ainda mais, por tornarem evidente e confessarem sua incapacidade e insuficiência na aparência da finitude causada pelos limites de seu horizonte, tornando evidente como são inconstantes. Ora, se conhecemos por experiência que eles nos enganam com respeito à superfície do globo no qual nos encontramos, muito mais devemos suspeitar deles quando querem referir-se ao côncavo céu estrelado.
ELPINO — Para que então servem os sentidos? Digam-no.
FILOTEO — Servem somente para excitar a razão, para tomar conhecimento, indicar e dar testemunho parcial, não para testemunhar sobre tudo, nem para julgar, nem para condenar. Porque nunca, mesmo perfeitos, são isentos de alguma perturbação. Por isso a verdade, em pequena parte, brota desse fraco princípio que são os sentidos, mas não reside neles.
ELPINO — Onde então?
FILOTEO — No objeto sensível como num espelho, na razão como argumentação e discurso, no intelecto como princípio e conclusão, na mente como forma própria e viva. 
ELPINO — Vamos, então, apresentem seus raciocínios.
FILOTEO — Assim farei. Se o mundo é finito e fora do mundo está o nada, pergunto a vocês: onde se encontra o mundo? Onde o universo? Aristóteles responde: em si mesmo. O convexo do primeiro céu é lugar universal; sendo ele o que tudo contém, não é contido por outro, porque o lugar não é nada a não ser superfície e extremidade de um corpo continente: do que se deduz que tudo o que não possui corpo continente não possui lugar. Mas o que você quer dizer, Aristóteles, atirando que "o lugar está em si mesmo"? O que você quer concluir com a afirmação "coisa existente fora do mundo"? Se você afirma que não existe nada; o céu, o mundo, por certo, não existem em lugar algum.
FRACASTORIO —  Portanto, o mundo não estará em lugar algum. O todo estará no nada.

Dicionário Filosófico
Paralaxe – vem do grego e significa alteração. É a alteração da posição angular de dois pontos estacionários relativos um ao outro como vistos por um observador em movimento. Em astronomia, paralaxe é a diferença na posição aparente de um objeto visto por observadores em locais distintos. A paralaxe estelar é utilizada para medir a distância das estrelas utilizando o movimento da Terra em sua órbita.

Elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo (PCNs)
1 – Nas seis primeiras linhas, no diálogo entre Elpino e Filoteo, encontramos um exemplo de:
(   ) antinomias            (   ) utopias                 (   ) distopias
2 – Ao esponder a indagação de Elpino, Filoteo diz que:
(   ) são os sentidos que percebem o infinito
(   ) os sentidos não percebem o infinito
3 – Por quê?
(   ) porque o infinito pode ser objeto dos sentidos
(   ) porque o infinito não pode ser objeto dos sentidos
4 – “Temos suficiente testemunho no campo dos sentidos pelo fato de não poderem nos contradizer e, ainda mais, por tornarem evidente e confessarem sua incapacidade e insuficiência na aparência da finitude causada pelos limites de seu horizonte, tornando evidente como são inconstantes. Ora, se conhecemos por experiência que eles nos enganam com respeito à superfície do globo no qual nos encontramos, muito mais devemos suspeitar deles quando querem referir-se ao côncavo céu estrelado.”
Paralaxe

Labi - UFScar

Publicado em 2 de mar de 2015
Pesquise no dicionário filosófico o que é paralaxe.
5 – Qual é a resposta que Filoteo dá ao questionamento de Elpino: para que então servem os sentidos?
6 – Para a indagação de Filoteo: se o mundo é finito e fora do mundo está o nada, pergunto a vocês: onde se encontra o mundo?
a) Qual é a resposta de Aristóteles?
b) Qual é a conclusão de Fracastorio?

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